Às vezes me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo, sem a menor tentativa de resistência. Não porque aquilo fosse terrível, ou porque nos marcasse profundamente ou nos dilacerasse - e talvez tenha sido terrível, sim, é possível, talvez tenha nos marcado profundamente ou nos dilacerado - a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou.
(Caio F. Abreu)
E foi bem assim que aconteceu. Parecia que não daria em nada (na verdade não deu mesmo), mas de alguma forma tudo mudou, nada está mais como antes. Agora os nossos olhares não se cruzam mais, eles se repelem, como se fosse uma forma de, ai sim, resistir. Agora é como se essa fosse a nossa única fuga, como se devêssemos fugir,... Tentando fingir que nada aconteceu, que nada mudou, que nada ficou.
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